O sucesso das casas de apostas online, as famosas “bets”, está distorcendo o jogo do marketing no Brasil, elevando custos, drenando verba de consumo e tornando a atenção do público mais cara e disputada. Ao mesmo tempo, cresce a inadimplência ligada às “bets”, o que impacta diretamente a capacidade de compra e de resposta às campanhas de empresas de bens e serviços.
O boom das “bets” e o tsunami de mídia
O Brasil já figura entre os maiores mercados de apostas do mundo, com volume estimado entre dezenas e centenas de bilhões de reais por ano, colocando as “bets” como um dos novos gigantes do entretenimento digital.
Marcas de apostas estampam camisas de clubes, eventos esportivos, Carnaval, influenciadores e mídia digital, tornando-se praticamente onipresentes no dia a dia do consumidor. Esse crescimento veio ancorado em estratégias de marketing altamente agressivas: bônus, promoções constantes, campanhas massivas em TV, patrocínios esportivos e ativação pesada em redes sociais e tráfego pago.

Como isso encarece o seu marketing
A presença massiva das bets em mídia digital e esportiva aumenta a concorrência por leilões de anúncios, elevando o custo por clique e por mil impressões em plataformas como Google Ads e Meta Ads.
Com as casas de apostas investindo pesado em segmentação, dados e mídia de performance, o custo de aquisição de clientes (CAC) tende a subir para todos os outros anunciantes que disputam o mesmo público e espaços.
O consumidor passa a ser bombardeado por ofertas de ganho rápido, bônus e prêmios, tornando menos atraentes as mensagens tradicionais de produtos e serviços que não prometem retorno imediato de dinheiro. Isso diminui taxa de clique e de conversão de campanhas convencionais.
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Verba que sai do consumo e vai para jogos
Estudos mostram que a fatia da renda familiar destinada a apostas cresceu nos últimos anos, alcançando mais de 20% do orçamento e com tendência de alta, ao mesmo tempo em que o percentual gasto no varejo (alimentos, roupas, eletrônicos, etc.) caiu de forma relevante.
Relatórios apontam que parte do dinheiro que antes ia para bares, restaurantes, roupas, lazer e até poupança está sendo redirecionado para apostas esportivas e jogos online.
Quando o consumidor canaliza parte significativa da renda para apostas, sobra menos para compras de bens e contratação de serviços, o que reduz o potencial de faturamento do varejo e de empresas de serviços de todos os portes.

Inadimplência em alta e impacto nas vendas
Levantamentos de entidades do comércio indicam que mais de 1 milhão de brasileiros ficaram inadimplentes em um único semestre em função dos gastos com jogos e apostas.
Estima-se que dezenas de bilhões de reais em apostas tenham gerado perdas superiores a R$ 100 bilhões em faturamento potencial do varejo, pela substituição de consumo real por gastos em “bets”.
A combinação de endividamento, vício e uso de recursos essenciais para apostar agrava a situação das famílias de menor renda, reduzindo ainda mais sua capacidade de consumo de bens básicos e serviços do dia a dia.
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Estratégias para contornar o custo alto de marketing
Mesmo num cenário de mídia inflacionada pelas bets, há caminhos para reduzir dependência de anúncios caros e aumentar eficiência de investimento.
1. Apostar em diferenciação e nicho: Em vez de tentar disputar volume de mídia com grandes anunciantes, posicione sua marca com uma proposta de valor clara, segmentada e relevante para um público específico. Quanto mais nichado, menor a briga direta com gigantes. Conteúdos especializados (blogs, vídeos, guias, e-books) focados em dores reais do seu cliente constroem autoridade e atraem tráfego orgânico, reduzindo a dependência de mídia paga cara.
2. Fortalecer marca e experiência: em um ambiente saturado por promessas de ganho rápido, marcas que transmitem confiança, consistência visual e experiência positiva criam vínculo emocional e lealdade, reduzindo a necessidade de “gritar” em anúncios. Investir em identidade visual forte, UX profissional em site e landing pages e jornadas bem desenhadas aumenta a taxa de conversão, compensando o aumento de custo de mídia com melhor performance por visitante.
3. Otimizar funil e conversão: se o clique está mais caro, cada visita precisa valer mais: páginas rápidas, mensagens claras, prova social, ofertas bem estruturadas e CTAs diretas são essenciais para transformar tráfego em leads e vendas com menos desperdício. Trabalhar automações de nutrição de leads, remarketing inteligente e acompanhamento pós-venda ajuda a aumentar o LTV do cliente, diluindo o custo de aquisição ao longo do relacionamento.
4. Diversificar canais além dos leilões óbvios: use combinações de canais menos saturados, como parcerias com influenciadores locais, co-marketing com negócios complementares e comunidades de nicho, que podem gerar atenção qualificada com custo menor. Invista em SEO, e-mail marketing, WhatsApp para construir uma base de tráfego e relacionamento que não dependa exclusivamente de mídia paga em disputa com casas de apostas.
5. Ajustar comunicação para o novo contexto financeiro: considerando o aumento de endividamento e menor espaço no orçamento das famílias, mensagens que valorizem planejamento, custo-benefício, durabilidade e segurança financeira tendem a ressoar melhor que apelos puramente aspiracionais. Oferecer condições flexíveis, planos acessíveis, prova de resultado e transparência em preços ajuda a reduzir barreiras de decisão para um público mais cauteloso e pressionado pela renda.
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Não tente competir no “grito”
Se o cenário das “bets” tornou o marketing mais caro e a atenção mais disputada, o caminho não é tentar competir no grito, mas construir uma presença digital estratégica, bem planejada e orientada a resultado. Com posicionamento claro, design profissional, conteúdo relevante e funil otimizado, sua empresa consegue transformar menos mídia em mais negócios, mesmo em meio ao barulho das apostas.

















